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Ascensão e proteção da carreira

Flavio-Sá-ascencao-de-carreiraAlavancar a carreira, assumir uma posição C-Level e participar diretamente da gestão de uma organização. Esses são objetivos em comum de 99% dos executivos, certo? Ainda mais em um mercado saturado, que convive com os avanços tecnológicos e acirramento da concorrência. Tais atribuições geram demandas e obrigações proporcionalmente relevantes e isso tem mudado um pouco o olhar dos profissionais do mercado.

Uma recente pesquisa realizada pelo site Career Builder mostrou que apenas um terço dos profissionais entrevistados pleiteiam posições de liderança. Será que o mundo está criando aversão a cargos de chefia e as pessoas andam com medo de tal exposição? É claro que a análise não deve ser tão superficial.

Mas o que causa essa desmotivação compartilhada? A pesquisa revela que um dos principais responsáveis é o maior acesso à informação, que favorece o entendimento do sucesso de maneira ampla, representando algo que vai além da posição ocupada na companhia. O argumento é válido, mas levo a discussão para os riscos reais.

Tenho observado que, ano após ano, com o alto nível de profissionalização das empresas, os cargos mais altos têm sido observados na lupa, com cobrança por resultados redobrada e controle mais rigoroso do seu modus operandis. Alguns dizem se tratar do ônus de ser gestor.

Essa exposição, diretamente ligada às ferramentas de compliance incorporadas recentemente, como a Lei-Anticorrupção, por exemplo, estimula os executivos e as empresas a avaliarem melhor os riscos ao aceitarem um novo desafio. Nos últimos anos, constatamos impérios pessoais e corporativos ruírem devido a atos administrativos falhos, enterrando carreiras bem-sucedidas de executivos brilhantes.

Mas como proteger patrimônios e indivíduos de eventuais atos de má gestão? As seguradoras oferecem produtos específicos para resguardar esse tipo de situação, chamados de Responsabilidade Civil para Administradores – ou pela sigla em inglês D&O (Directors & Offices), que reúne basicamente coberturas para proteção do patrimônio pessoal dos administradores, exposto em decorrência de ações, omissões e decisões de gestão nas empresas que, se questionadas, podem comprometer esse patrimônio.

Já consolidado em mercados securitários maduros, como EUA e Europa, o D&O ganhou musculatura no Brasil na última década, ofertado por companhias com expertise global. A AIG Brasil, que trouxe o produto ao País na década de 1990, aplicou extensões de garantia inéditas, com menos restrições e mais capacidade, contando com a expertise mundial devido à operação em mais de 90 países e liderança de mercado em vários desses países. O D&O garante reclamações de natureza cível, trabalhista, tributária, consumerista ou previdenciária em processos judiciais, administrativo ou arbitral. Existe amparado para indenizações, composição amigável e cobertura para horonários advocatícios.

Em linhas gerais, nessa apólice, as seguradoras avaliam fatores de risco na operação da empresa, como o perfil de seus acionistas, situação financeira, práticas de governança corporativa, histórico de litígios, entre outros. De acordo com os dados publicados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), esse mercado cresceu 150% de 2010 a 2015, passando de R$ 119 milhões de prêmio arrecadado para R$ 298 milhões. Neste mesmo movimento, as indenizações pagas pelas seguradoras passaram de R$ 58 milhões em 2010 para R$ 142 milhões em 2015, aumento de 145%.

Embora sendo impulsionado no mercado interno brasileiro, o seguro D&O ainda é desconhecido por boa parte dos executivos, fato que corrobora essa aversão por cargos de gestão. É sabido que ainda há um grande caminho a ser percorrido no que tange o conhecimento dessas ferramentas que asseguram rotina e bens dos profissionais, mas essas discussões já são mostras da evidente verdade de que a ascensão na carreira é sim um desafio positivo, basta estar preparado e devidamente resguardado.

Fonte: Revista Apólice

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